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Quem tem alma não tem calma

Especialista em generalidades.

Quem tem alma não tem calma

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Relatos Selvagens (Relatos Salvajes), 2014

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 Filma esto, Néstor.

 

 

Há qualquer coisa de misterioso e charmoso no cinema argentino. Relatos Selvagens é um dos meus filmes preferidos e reúne 6 histórias diferentes, todas elas de ira, vingança e infortúnios. Acrescento também que um filme com o Ricardo Darín vale sempre a pena.

 

Mais informações aqui.

Trailer aqui.

Narcos (2015 -)

 

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Há cerca de um ano comecei a ler um livro do Gabriel Garcia Marquez chamado "Notícia de Um Sequestro". É um livro difícil de ler, dado o seu registo documental e cronológico, mas que depressa agarra o leitor. Se forem como eu, lêem num ápice. O tema do livro é a onda de sequestros orquestrados pelo Cartel de Medellín, na Colômbia, comandada por Pablo Escobar e que tinha como objectivo pressionar o governo a ceder às exigências dos narcotraficantes nos mais variados assuntos. Eram sequestradas sempre pessoas importantes, de famílias de políticos, jornalistas, etc.

 

Há poucas semanas percebi que estava no ar uma série de seu nome Narcos, que nos mostra a Colômbia no auge do narcotráfico, mas, principalmente, nos conta a história de Pablo Escobar e de como construiu o seu império contra todas as consequências.

 

O papel principal coube a Wagner Moura, já conhecido pelo papel no filme Tropa de Elite. Boyd Holbrook e Pedro Pascal interpretam os ousados agentes da DEA, cujo principal objectivo é apanhar Escobar e desmantelar o cartel. O primeiro já participou em filmes como Gone Girl e Milk, o segundo ficou mais conhecido com o papel de Oberyn Martell em Guerra dos Tronos. A série é realizada por Andrés Baiz, Fernando Coimbra, Guillermo Navarro e José Padilha.

 

Pablo Emilio Escobar Gaviria nasceu em Rionegro, no seio de uma família humilde e com poucas posses. Já mais crescido, foi praticando crimes menores, até entrar no meio do tráfico de droga. A sua ascensão foi rápida, dada a sua inteligência e "olho para o negócio". Há que atentar que Escobar era um homem muito inteligente, ele considerava-se mesmo um génio que era tratado como louco. 

 

Rapidamente começou a ganhar (muito) dinheiro, a criar uma rede cada vez maior, que controlava a polícia local e a intimidava. Inicialmente, até nos parece ser um homem bom, mas que seguiu o caminho errado. Pablo oferecia casas e outras infraestrutras aos pobres, dava-lhes dinheiro, era considerado um homem do e para o povo. Mas a sua ambição tornou-o (ou revelou-o) num dos criminosos mais impiedosos do mundo.

 

Depois da popularidade junto da população, conseguiu o apoio de um partido para tentar entrar na política. Acabou por fazê-lo, mas o ministro da justiça da Colômbia, Rodrigo Lara Bonilla, impôs-se e revelou frente ao Parlamento o que toda a gente desconfiava: depois de destruir um tribunal com uma bomba e vários tanques de guerra, visando destruir todos os documentos que o pudessem indiciar desses crimes, houve algo que sobrou - uma foto de Pablo Escobar detido uns anos antes. Foi a última gota para o traficante. Poucos dias depois, Rodrigo foi assassinado enquanto era transferido para um consulado na Europa.

 

Iniciou-se então na Colômbia quase uma guerra civil: Escobar mandava matar quem se pusesse no seu caminho, fossem civis, políticos, jornalistas. Além desses, também criara inimigos de outros cartéis que se queriam impor igualmente no negócio. Travava um braço de ferro nesta altura com Cesar Gaviria, Presidente da República, que apoiava a extradição deste tipo de criminosos para os EUA.

 

Por esta altura, era já considerado o 6º homem mais rico do mundo pela revista Forbes. Tinha tanto dinheiro que chegou a esconder 1 milhão de dólares no sofá da casa da mãe e a enterrar tantos outros milhões no campo. 

 

O cerco da polícia começou a apertar, os seus amigos mais próximos foram caindo como peões. As pessoas estavam fartas da guerra e, cedendo aos pedidos de famílias que tinham sido atingidas com a onda de sequestros, Gaviria, o presidente, deu a Escobar o que ele sempre quis. Este último entregou-se à justiça, mas com uma condição - ele construía a sua própria prisão com os seus guardas. Continuava a levar uma vida de luxo dentro da prisão, assim como prosseguia o negócio da cocaína. Mas cedo Gaviria se fartou e ordenou a transferência de Pablo para outra prisão.

 

Assim acaba a primeira temporada da série. O desfecho é mais do que conhecido, mas não o conto, porque um spoiler é sempre um spoiler, mesmo que seja um spoiler da vida real. Dito isto, "plata o plomo"!

 

Boas séries!

 

Trailer aqui.

Mais informação sobre a série aqui.

Fargo, Season 1, 2014

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Era uma vez uma pacata e pequena cidade no Minnesota, Estados Unidos, na qual toda a gente se conhece, onde nada acontece e onde o trabalho da polícia consiste em resgatar gatos das árvores.


Comecemos pelo protagonista. Lester Nygaard é a perfeita definição de "xoninhas": é um vendedor de seguros mal-sucedido, que se deixa rebaixar pelos seus clientes, que não consegue vender uma apólice e que vive em condições modestas. Como se não lhe bastasse o falhanço a nível profissional, a vida pessoal e amorosa consegue ser ainda pior. A sua esposa cobiça a vida e o bem-estar dos outros, maltrata o marido e culpa-o pela vida assim-assim que os dois levam.


Tudo muda quando o malvado Lorne Malvo (gostaram do malvado Malvo? eu também) chega à cidade e começa a influenciar o comportamento dos personagens. Lorne tem uma espécie de aura assassina e psicopata que consegue atingir os mais ingénuos. Lester é a primeira vítima de muitas. Convencido de que é capaz de muito mais do que aquilo que foi até agora, comete uma loucura que o vai perseguir até ao fim da mini série.


Fargo é uma espécie de remake de um filme com igual nome, realizado pelos Irmãos Coen (fantástico tal como a homónima), que nos cativa com a variedade de personagens e com aquilo que o ser humano é capaz de fazer para atingir os seus objectivos. É uma mostra de que o ser humano não está isento de aplicar o seu lado mais animal e selvagem quando se sente ameaçado ou quando a sede de poder é grande.


Além de ter interpretações geniais, deixa-nos a querer mais. Toda a temporada é composta por eventos que se interligam, como uma espécie de puzzle, numa perspectiva única de storytelling. Gostava de poder dizer muito mais, para convencer-vos a dar-lhe uma oportunidade, mas aí iria perder a piada.
Pensada para ser composta apenas por uma temporada, sosseguem fãs, vem aí uma segunda em Outubro!


Vejam o trailer aqui.


Mais informações sobre a série aqui.

Six Feet Under (Sete Palmos de Terra), 2001-2005

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Há algum tempo comecei a ver (e rapidamente acabei) a série “Six Feet Under”, mais conhecida por cá por “Sete Palmos de Terra”. Já tinha ouvido falar dela, mas nunca fiz muita questão de começar a ver. De vez em quando, passava os olhos pela RTP2 e via alguma coisa, mas nunca a segui religiosamente.

 

Desde os primeiros episódios que fiquei completamente apaixonada pela série, pelo elenco, pelo argumento, pelo genérico… Enfim, mais uma série só com 5 temporadas, daquelas que deixam saudades e uma ânsia de poder ver só mais um episódio.

 

A família Fisher, dona de uma casa funerária à moda antiga, é o centro desta trama. O pai, Nathaniel; a mãe, Ruth; os filhos, Nate e David; a filha, Claire. O que é que se pode esperar de uma família que dorme tranquilamente numa casa com mortos na cave à espera da despedida final? O que é que se pode esperar de uma família que convive com a morte, a dor e o sofrimento alheio sem que isso os influencie? Na verdade, são uma família disfuncional (como quase todas as que conhecemos), mas a ironia e o humor negro com que esta história é escrita torna-a numa série hilariante.

 

No primeiro episódio, o clã Fisher é atingido pela tragédia com a morte do patriarca num acidente de carro (funerário, claro). O personagem de Nathaniel não nos abandona e continua a fazer algumas aparições nos episódios, sempre com uma postura de “estou-me a cagar, o paraíso até é fixe e fuma-se erva aqui”. As aparições do pai são quase sempre em tom de aviso e com conselhos para os filhos, sempre com o sarcasmo ao qual nos habituou.

 

Com a morte de Nathaniel, a funerária passa para as mãos dos filhos, Nate e David. O que calhou à Claire foi uma bolsa paga numa universidade à escolha, o que não a deixa contente, dado que está farta de ser posta de parte dos negócios da família só por ser uma rapariga.

 

David, interpretado por Michael C. Hall, o conhecido personagem “Dexter”, fica contente com o testamento do pai, porque sempre trabalhou na empresa e pôs de parte um outro futuro para ajudar no negócio da família. O que o deixa fora de si é saber que o seu pai deixou a outra metade da empresa ao irmão, Nate, um playboy, que se mudou para Seattle e que nunca se interessou pela casa funerária.

 

O futuro da família fica em aberto, de forma a perceber-se qual vai ser a relação dos irmãos enquanto família e enquanto sócios; Ruth, a típica mãe americana que fica em casa a cuidar dos filhos, vê-se perdida sem o seu marido e muda radicalmente de atitude, numa tentativa de se tornar numa mulher independente e revela que até teve um caso durante o casamento; Claire, a típica adolescente americana que odeia o liceu, porque se auto-integra no grupo dos losers, quando ela sabe que pode ser muito mais, inclusive um pequeno génio da arte.

 

Não digo muito mais porque não quero ser “mais” spoiler, mas Six Feet Under é uma das séries mais geniais que já vi. Cada episódio surpreende-nos e pensamos, afinal, que esta família até podia ser a nossa. A forma com que eles encaram a morte que os rodeia constantemente é uma lição para eles e para quem assiste aos episódios. Já vi outras séries que considero brilhantes, mas esta vai ser sempre A série da minha vida, com o finale mais emotivo e heartbreaking de sempre.

 

Aconselho todos a ver :)

 

Trailer aqui.

 

Mais informação sobre a série aqui.

 

 

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